| TRABALHAR EM PROL DA CONSCIENTIZAÇÃO DA SOCIEDADE É UM DOS MUITOS CAMINHOS |
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Assim que chegou à cidade de Cabreúva (76 km de SP), para onde havia sido transferida, a promotora Daniela Merino Alhadef, 31, ficou estarrecida. Ela descobriu que o número de crimes sexuais na região era altíssimo -muitos deles cometidos dentro das próprias famílias-, mas os abusos não eram esclarecidos nem denunciados.
"Comecei a processar criminalmente todas as pessoas envolvidas. As denúncias aumentaram gradativamente e muita gente foi presa. Depois de quatro anos fazendo esse trabalho, os índices desse tipo de crime caíram consideravelmente naquela região", afirma Alhadef. Para a jovem promotora, o fato ilustra bem o que ela considera ser a principal função da sua profissão: aflorar na sociedade uma maior consciência social. "O Ministério Público existe para modificar a realidade social. As nossas ações estão sempre voltadas para esse objetivo." A Promotoria é um órgão independente dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. É uma espécie de advogado da sociedade que tem várias funções, entre elas processar criminosos, defender consumidores, zelar pelo respeito dos poderes públicos e proteger o ambiente. Entre suas várias atribuições, o órgão deve também investigar casos de corrupção e improbidade administrativa. Por esse motivo, os promotores têm aparecido com muita freqüência nos meios de comunicação nos últimos anos -o que acabou provocando um aumento pelo interesse na profissão. Em 1998, 5.662 pessoas fizeram o concurso de promotor de Justiça. Esse número saltou para 7.356 neste ano. "Mas há outros fatores importantes que levam as pessoas a optar pela carreira, como a estabilidade no emprego e a boa remuneração que o cargo oferece", afirma Alhadef, que trabalha no Ministério Público há seis anos e hoje é promotora na cidade de Indaiatuba (102 km de SP). O dia-a-dia do promotor é agitado. Ele fica no fórum, onde recebe reclamações do público, participa das audiências e trabalha nos inúmeros processos pelos quais é responsável. Apesar da estabilidade no emprego, da boa remuneração e da possibilidade de trabalhar em prol da sociedade, a legislação do Brasil é um dos motivos que fazem com que alguns profissionais fiquem frustrados. "Uma pessoa condenada tem inúmeras possibilidades de recurso e isso gera uma sensação de impunidade. A lei deveria ser mais severa." Possibilidades Ser promotor é apenas uma das inúmeras possibilidades que o direito oferece. O profissional também pode atuar como juiz, defensor público, delegado de polícia e advogado -neste último caso ele deve ser aprovado na prova da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para poder exercer a advocacia privada. O direito é o conjunto das normas e princípios jurídicos que regulam a sociedade e a Justiça. Apesar da imagem que algumas pessoas têm da profissão -de rigidez e de apego às regras-, as faculdades de direito procuram oferecer uma visão totalmente diferente para o estudante. A procura pela graduação é muito grande e a nota de corte na Fuvest (71) sempre está entre as mais altas. "O curso abre a mente do aluno porque ele vai estudar muita sociologia e filosofia. E isso é importante porque o advogado, o juiz, não estão presos à lei. Eles vão interpretar a lei de maneiras diferentes e cada interpretação é um ato de criação. Por isso o direito muda constantemente", afirma Marcelo Figueiredo, diretor do curso de direito da PUC-SP. Ele lembra que, como na maioria das profissões atualmente, é importante que o aluno procure se especializar numa área dentro do direito. "Como há muitas saídas, o profissional deve focar bem onde quer trabalhar, senão ele se perde. Além disso, o mercado hoje é muito competitivo e é importante a pessoa procurar cursos de extensão e estudar bastante." (11-09-2005 - Folha de S.Paulo) |
| ( 11-09-2005 - Folha de S.Paulo ) |